A Procuradoria Geral do estado de São Paulo (PGE/SP) e a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logistica do Estado de São Paulo (Semil), promoveram, nos dias 9 e 10 de abril, uma imersão técnica no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, no município de Cananéia, no extremo sul do litoral do estado de São Paulo. A iniciativa reuniu procuradores do Estado de São Paulo, especialistas e equipes técnicas para uma agenda voltada à análise dos impactos das mudanças climáticas sobre ecossistemas costeiros e comunidades tradicionais.
A programação incluiu visitas de campo em áreas críticas do parque, especialmente nas regiões afetadas por processos intensos de erosão costeira, como o entorno da chamada Nova Barra e o estreitamento do esporão arenoso conhecido como Estreito do Melão. Nas áreas, foi possível observar a perda contínua de faixa de praia, alterações na dinâmica hidrológica e impactos diretos sobre ecossistemas sensíveis, como manguezais e restingas
Os participantes acompanharam de perto evidências da intensificação de eventos extremos — como ressacas, elevação do nível do mar e mudanças no regime de correntes — que vêm acelerando processos naturais da dinâmica costeira. Também foram discutidos os efeitos dessas transformações sobre a biodiversidade local, incluindo mudanças na composição de espécies e perda de habitats, além da reconfiguração de ambientes naturais ao longo do tempo.
Um dos pontos centrais da imersão foi a compreensão dos impactos socioambientais sobre as comunidades tradicionais que vivem no parque, especialmente populações caiçaras. Trata-se de comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais para sua subsistência, com atividades como pesca e extrativismo associadas aos manguezais — ecossistemas fundamentais que funcionam como berçários da vida marinha, além de atuarem na proteção costeira e no sequestro de carbono.
Para a Procuradoria Geral do Estado, a vivência em campo representa um avanço na qualificação da atuação institucional. A experiência permite que procuradores compreendam de forma direta os desafios enfrentados no território.
Tudo com o objetivo de fortalecer a atuação jurídica na defesa de políticas públicas ambientais, na mediação de conflitos e na construção de soluções integradas voltadas à adaptação climática.
A iniciativa também dialoga com a agenda do Plano Estadual de Adaptação e Resiliência, em desenvolvimento pelo Governo do Estado, que busca integrar ações para ampliar a capacidade de resposta de cidades, atividades econômicas e populações frente às mudanças climáticas, com atenção especial às regiões costeiras.